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A chave francesa para o Oscar 2012?
por Julianne Gouveia
Preparem os lencinhos – uma alta dose de dramas familiares e históricos ameaça levar um rio de lágrimas aos cinemas brasileiros com ‘A Chave de Sarah’, grande aposta francesa na corrida pelo Oscar 2012. Inspirado em um dos mais obscuros episódios da participação do país na II Guerra Mundial, o longa-metragem utiliza a crueza da História para fazer pensar a respeito de traumas que podem afetar gerações inteiras.

Desde sempre, controverso (e, sim, um tanto quanto caça-níquel para a indústria cultural), o Holocausto é receita de sucesso por onde quer que passe. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela entrega dos prêmios Oscar, simplesmente adora o tema – não esqueçamos que os grandes magnatas e intelectuais do cinema americano são de origem judaica. Declaradamente idealizado na busca pelo prêmio para a França, ‘A Chave de Sarah’ é um forte candidato à estatueta. É com ele que o jovem diretor Gilles Paquet-Brenner joga sal nas feridas ao tratar da controversa colaboração da França com os Nazistas que ficou fora dos livros de História do país até bem pouco tempo atrás.
Mas vamos aos fatos. No verão de 1942, a menina Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) sofre as consequências da perseguição aos judeus no episódio conhecido como Rafle du Vel’ D’Hiv, quando 13 mil pessoas – em sua maioria mulheres e crianças – foram levadas pela Polícia Francesa para o Velódromo de Inverno, onde permaneceram sob condições desumanas até serem enviados para campos de concentração na Alemanha e na Polônia. Em 2009, enquanto escreve um artigo sobre o episódio do Vel’ D’Hiv, a jornalista americana radicada na França Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) está prestes a se mudar com o marido e a filha para um apartamento da família que, logo, descobre ter pertencido aos pais de Sarah. Na busca por respostas sobre o caso, Julia se confrontará consigo mesma e com sua participação no mundo enquanto mãe e mulher de princípios. Ela faz da busca pela verdade uma obsessão e deixa tudo para trás a fim de encontrar a verdade da menina e de si mesma.

Sem grandes arroubos estéticos, ‘A Chave de Sarah’ é um dramalhão softcore que mostra a que vem desde o início. Baseado no best-seller de Tatiana de Rosnay, o longa tem uma narrativa mais que objetiva, que jamais deixa de transbordar sua alta carga emotiva – e apenas nesse único elemento. Com a exceção óbvia de Mélusine Mayance, também não há grandes interpretações, outro ponto que chama atenção para uma história deste porte. Kristin Scott Thomas parece um vácuo de emoção, o que se apresenta como uma opção diante da utópica ética e imparcialidade jornalística que ela crê precisar ostentar tanto na vida profissional e pessoal.
O grande recado de Paquet-Brenner, focado em contar história e fazer História, é de que o passado ainda pode ser uma fonte inesgotável de dramas humanos, já que cada um de nós é, direta ou indiretamente, afetado por ele. Com os erros, talvez, possamos lembrar de nossa alta capacidade para consertar as coisas – e, quem sabe, ainda ganhar alguns prêmiozinhos.