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Canções de Apartamento
O belo e sutil disco de Cícero
por Julianne Gouveia
‘Taí; Sem graça’. Os dois versos de ‘Eu Não Tenho Um Barco – Disse A Árvore’, quinta faixa do disco ‘Canções de Apartamento’, do carioca Cícero, definitivamente, não dizem nada a respeito do som que faz um dos novíssimos destaques da cena indie do RJ. Graça e beleza é o que não faltam na crônica da melancolia urbana vivida por um cara que podia ser qualquer um, mas escolheu ser ele mesmo e lançou um dos discos mais bacanas de 2011.

Ex-líder da banda Alice e figurinha fácil na noite carioca enquanto DJ de festas indies como a Yellow Submarine, Cícero Lins abdicou do sobrenome e tomou emprestado boa parte de sua vida para compor e gravar seu álbum de estreia. Em junho, ele lançou na internet ‘Canções de Apartamento’, um álbum que soa como um carnaval melancólico com a bossa nova como grande inspiração em um pano de fundo mesclado de indie rock, marchinha e noisy. E a saída escolhida por tantos nomes na música hoje como opção de produção mais barata foi, para ele, a opção estética que deu o tom de toda a obra – ‘Canções de Apartamento’ foi inteiramente realizado no lar do cantor.
É assim que, feito nos moldes do it yourself, ‘Canções de Apartamento’ transborda Cícero por todos os lados. Responsável por todas as composições e arranjos, a persona dele está em cada nota de suas dez músicas – dos versos à capa do disco, fotografada no imóvel que dá nome à obra. A bossa nova mostra a cara, mas timidamente os flertes com gêneros indies aparecem por lá. A experimentação também tem seu espaço sutil, mas importante, em guitarras distorcidas e na ambiência diegética que permeia o disco com ruídos de chuva e pássaros cantando – afinal, não estamos só surfando na cabeça do guri de apartamento, mas passeando pelo seu mundo, bem mais real que parece.

‘Canções de Apartamento’ é um grande inventário contemporâneo das desilusões de quem tem 20 e poucos anos – quando a vida parece uma carta amassada cuja curiosidade em abrir já tornou-se frustração e desânimo.  Os relacionamentos amorosos são a válvula de escape para uma vida estéril e cheia de caos. Em ‘Vagalumes Cegos’, por exemplo, essa aridez parece bem clara na solidão das metrópoles, em um mundo no qual as pessoas parecem cada vez mais próximas e, ao mesmo tempo, mais distantes. O díptico sinestésico ‘Ensaio Sobre Ela’ e ‘Açúcar ou Adoçante?’ faz um passeio visual por início e fim de um relacionamento, buscando os extremos de uma história para contar, indiretamente, seu interlúdio feliz. E os ídolos brasileiros gritam em canções como ‘Pelo Interfone’, diálogo direto de Cícero com o mestre Tom Jobim, tomando emprestado o apelido da protagonista Dindi para mostrar mais desapontamento. 
Em uma coesão orgânica inspirada para tempos difíceis, ‘Canções de Apartamento’ é, sem dúvida, uma obra genial como há tempos não se via na música brasileira. E, sempre ‘em busca do que é belo e vulgar’ na vida cotidiana, Cícero é, com seus olhos tristonhos, um dos mais interessantes nomes da cena indie atual. Bons tempos estão chegando. Devagarzinho.
Eu Não Tenho um Barco, Disse a Árvore

Ensaio Sobre Ela

Açúcar ou Adoçante

Vagalumes Cegos

Baixe ‘Canções de Apartamento’. - Moda Masculina

Canções de Apartamento

O belo e sutil disco de Cícero

por Julianne Gouveia

‘Taí; Sem graça’. Os dois versos de ‘Eu Não Tenho Um Barco – Disse A Árvore’, quinta faixa do disco ‘Canções de Apartamento’, do carioca Cícero, definitivamente, não dizem nada a respeito do som que faz um dos novíssimos destaques da cena indie do RJ. Graça e beleza é o que não faltam na crônica da melancolia urbana vivida por um cara que podia ser qualquer um, mas escolheu ser ele mesmo e lançou um dos discos mais bacanas de 2011.

Canções de Apartamento novo álbum Cícero é destaqque na cena indie e mpb

Ex-líder da banda Alice e figurinha fácil na noite carioca enquanto DJ de festas indies como a Yellow Submarine, Cícero Lins abdicou do sobrenome e tomou emprestado boa parte de sua vida para compor e gravar seu álbum de estreia. Em junho, ele lançou na internet ‘Canções de Apartamento’, um álbum que soa como um carnaval melancólico com a bossa nova como grande inspiração em um pano de fundo mesclado de indie rock, marchinha e noisy. E a saída escolhida por tantos nomes na música hoje como opção de produção mais barata foi, para ele, a opção estética que deu o tom de toda a obra – ‘Canções de Apartamento’ foi inteiramente realizado no lar do cantor.

É assim que, feito nos moldes do it yourself, ‘Canções de Apartamento’ transborda Cícero por todos os lados. Responsável por todas as composições e arranjos, a persona dele está em cada nota de suas dez músicas – dos versos à capa do disco, fotografada no imóvel que dá nome à obra. A bossa nova mostra a cara, mas timidamente os flertes com gêneros indies aparecem por lá. A experimentação também tem seu espaço sutil, mas importante, em guitarras distorcidas e na ambiência diegética que permeia o disco com ruídos de chuva e pássaros cantando – afinal, não estamos só surfando na cabeça do guri de apartamento, mas passeando pelo seu mundo, bem mais real que parece.

‘Canções de Apartamento’ é um grande inventário contemporâneo das desilusões de quem tem 20 e poucos anos – quando a vida parece uma carta amassada cuja curiosidade em abrir já tornou-se frustração e desânimo.  Os relacionamentos amorosos são a válvula de escape para uma vida estéril e cheia de caos. Em ‘Vagalumes Cegos’, por exemplo, essa aridez parece bem clara na solidão das metrópoles, em um mundo no qual as pessoas parecem cada vez mais próximas e, ao mesmo tempo, mais distantes. O díptico sinestésico ‘Ensaio Sobre Ela’ e ‘Açúcar ou Adoçante?’ faz um passeio visual por início e fim de um relacionamento, buscando os extremos de uma história para contar, indiretamente, seu interlúdio feliz. E os ídolos brasileiros gritam em canções como ‘Pelo Interfone’, diálogo direto de Cícero com o mestre Tom Jobim, tomando emprestado o apelido da protagonista Dindi para mostrar mais desapontamento. 

Em uma coesão orgânica inspirada para tempos difíceis, ‘Canções de Apartamento’ é, sem dúvida, uma obra genial como há tempos não se via na música brasileira. E, sempre ‘em busca do que é belo e vulgar’ na vida cotidiana, Cícero é, com seus olhos tristonhos, um dos mais interessantes nomes da cena indie atual. Bons tempos estão chegando. Devagarzinho.

Eu Não Tenho um Barco, Disse a Árvore

Ensaio Sobre Ela

Açúcar ou Adoçante

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Post de 5, December, 2011

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