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A temporada após o fim das cotas entre os modelos no Brasil
por Dudu Morato
Na edição do SPFW de Verão 2012 houve toda aquela polêmica envolvendo Oskar Metsavaht, diretor criativo da Osklen, que argumentava sobre a dificuldade em encontrar modelos profissionais negros para compor 100% de seu casting. Na temporada sua coleção Royal Black homenageava a herança afrodescendente na moda brasileira. Uma temporada se passou e agora podemos comparar alguns números e chegar a algumas conclusões sobre o assunto.

A Uol fez um levantamento da participação de modelos negros nas passarelas do SPFW, um dos eventos de moda mais relevantes e influentes do país. Em 2009 a organização do evento, a empresa Luminosidade, firmou um acordo com o Ministério Público Estadual que sugere a participação de 10% de profissionais afrodescendentes, negros e indígenas nos desfiles em dois anos. A intenção era a de incentivar os estilistas a valorizar a diversidade étnica num país como o Brasil, onde mais ou menos 50% da população é formada por negros. Na época o assunto dividiu opiniões. Houve o questionamento sobre a liberdade de criação e escolha dos criadores e estilistas das marcas, mas o fato é que a cota não era uma obrigação e sim uma sugestão.

A pesquisa mostra que na última edição do SPFW que terminou no dia 24/01 e foi a primeira depois do fim do acordo entre o MP e a organização do evento resultou em um aumento de 15% da participação de modelos negros nas passarelas em comparação aos desfiles da temporada passada. Esse aumento talvez não possa ser ligado ao fato da criação da cota sugestiva em sí, visto que algumas marcas como Osklen e Maria Bonita já compõem elementos étnicos e da cultura brasileira bem marcados como referência em seu DNA. Assim o crescimento pode ser resultado de coleções conceituais onde o uso de modelos negros foi maior.
Coincidência ou não, o fato é que a beleza brasileira é fruto de uma enorme diversidade étnica que destoa dos padrões mundiais e deve ser vista como uma referência natural. A Osklen a exemplo criou o projeto E-fabrics onde cria e desenvolve tecidos ecologicamente corretos, usando matérias-prima tipicamente brasileiras, e a Maria Bonita desenvolvendo coleções usando peças artesanais.