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Roupa descartável
O custo-benefício dos produtos de moda em longo prazo
por Gregory Martins


Na última semana, a equipe oficial do Tumblr no SPFW encontrou Cristina Zanetti e Fernanda Resende, as cabeças por trás do Oficina de Estilo. Em uma conversa bem diversificada, um dos assuntos serviu de inspiração para este post: o tempo útil de um produto de moda. Para não haver quem queria debater verbetes, resolvi compreender ‘produto de moda’ por bens materiais concretos, como peças de roupa, acessórios e calçados.


Quando se compra um bem durável, o mínimo que se espera é satisfação e durabilidade. A expectativa é a mesma de calças de sarja à automóveis. A questão é que os produtos de moda estão em uma má fase no que diz respeito a composição e qualidade.
+ Quanto custa ser sustentável?
+ Zara boliviana ou Moda, sua bandida!
O sistema já é bem conhecido por clientes de redes de fast fashion: Um produto precisa ser feito em larga escala com o menor custo fixo de produção para poder ser vendido em todo o país no menor tempo possível. As confecções que fornecem a peça pronta trabalham com pouco pessoal, uma carga horária no limite do absurdo e material de baixa qualidade. Isso se reflete no preço repassado ao cliente. A dinâmica envolve experiência e exige rapidez, pondo de lado o controle minucioso de qualidade. O que o cliente tem em sua sacola é uma camiseta que possivelmente irá desbotar ou abrir alguns pontos, em especial próximos à bainha ou gola, assim que a peça for submetida à lavagem.

Quanto tempo dura uma camiseta? 4 ou 5 lavagens?!

Isso não é exatamente uma novidade: O baixo custo é igualmente proporcional aos benefícios. A grande surpresa fica por conta de produtos de moda não tão acessíveis e, muitas vezes, desejados que são fabricados por grandes marcas. Um tênis desconfortável que tenha feito parte do desfile do estilista pode custar grandes quantias de dinheiro, mas isso não garante sua durabilidade. Ao contrário, cada vez mais se vê solas descoladas e costuras se desfazendo em momentos inoportunos.
O site ReclameAqui, especializado em reclamações do consumidor, reúne relatos* completos de clientes que tiveram suas peças danificadas em pouco tempo. O ocorrido não é específico a nenhuma marca, mas sim a muitas! Há quem reclame que uma calça jeans Colcci não sobreviveu 3 meses, tênis desbotado da Osklen, bolsa da Cavalera descosturada em 2 semanas e camisetas Ellus que encolheram na 1ª lavagem. Erros de fabricação e defeitos são compreensíveis e nenhuma marca, por maior ou menor que seja, está livre destes acontecimentos. Ao mesmo tempo, é possível observar que grande parte das reclamações no ReclameAqui se referem à má qualidade do produto, não apenas a um defeito passível de troca.

A indústria de moda mundial tem seu reflexo visível de vitrine a vitrine no Brasil. O estilista nacional sofre com a concorrência das grandes grifes internacionais. O sucateado setor de tecelagem sofre o prejuízo da falta de políticas públicas que o ajudem a competir com a importação de tecidos chineses. No fim das contas, as marcas utilizam um tecido barato de baixa qualidade para poderem competir entre si. A reação transforma nossa sucata em pó e o cliente em um consumidor de moda com prazo de validade, no pior sentido da metáfora.
Pagar pela durabilidade de uma peça de roupa é o novo luxo. Entendo aqui ‘durabilidade’ como apenas alguns meses ou, com sorte, alguns poucos anos. Talvez exista alguma lógica entre produtos cada vez mais caros, qualidade cada vez mais baixa e um maior giro econômico. Afinal, se uma camiseta mal pode ser lavada 2 vezes é sinal de que o consumidor irá retornar às compras deixando mais dinheiro para o estilista (aquele comentado acima) preocupado com a concorrência. Ou ainda, o consumidor pode perceber que uma peça com mesma durabilidade e diferenças consideráveis de preço possa vir a ser um investimento interessante. Assim, ele dará mais dinheiro na mão dos grandes grupos de fast fashion, tirando-o da mão do estilista nacional que, por consequência, irá aumentar seus preços para poder sobreviver no mercado. 
Uma solução precisa surgir com rapidez e não pode ser descartável.
*Os relatos utilizados neste post são de inteira responsabilidade de seus autores.  - Moda Masculina

Roupa descartável

O custo-benefício dos produtos de moda em longo prazo

por Gregory Martins

Roupa descartável e moda sustentável

Na última semana, a equipe oficial do Tumblr no SPFW encontrou Cristina Zanetti e Fernanda Resende, as cabeças por trás do Oficina de Estilo. Em uma conversa bem diversificada, um dos assuntos serviu de inspiração para este post: o tempo útil de um produto de moda. Para não haver quem queria debater verbetes, resolvi compreender ‘produto de moda’ por bens materiais concretos, como peças de roupa, acessórios e calçados.

Roupa cara e de baixa qualidade confunde consumidor de moda brasileiro

Quando se compra um bem durável, o mínimo que se espera é satisfação e durabilidade. A expectativa é a mesma de calças de sarja à automóveis. A questão é que os produtos de moda estão em uma má fase no que diz respeito a composição e qualidade.

+ Quanto custa ser sustentável?

+ Zara boliviana ou Moda, sua bandida!

O sistema já é bem conhecido por clientes de redes de fast fashion: Um produto precisa ser feito em larga escala com o menor custo fixo de produção para poder ser vendido em todo o país no menor tempo possível. As confecções que fornecem a peça pronta trabalham com pouco pessoal, uma carga horária no limite do absurdo e material de baixa qualidade. Isso se reflete no preço repassado ao cliente. A dinâmica envolve experiência e exige rapidez, pondo de lado o controle minucioso de qualidade. O que o cliente tem em sua sacola é uma camiseta que possivelmente irá desbotar ou abrir alguns pontos, em especial próximos à bainha ou gola, assim que a peça for submetida à lavagem.

Quanto tempo dura uma camiseta? 4 ou 5 lavagens?!

Isso não é exatamente uma novidade: O baixo custo é igualmente proporcional aos benefícios. A grande surpresa fica por conta de produtos de moda não tão acessíveis e, muitas vezes, desejados que são fabricados por grandes marcas. Um tênis desconfortável que tenha feito parte do desfile do estilista pode custar grandes quantias de dinheiro, mas isso não garante sua durabilidade. Ao contrário, cada vez mais se vê solas descoladas e costuras se desfazendo em momentos inoportunos.

O site ReclameAqui, especializado em reclamações do consumidor, reúne relatos* completos de clientes que tiveram suas peças danificadas em pouco tempo. O ocorrido não é específico a nenhuma marca, mas sim a muitas! Há quem reclame que uma calça jeans Colcci não sobreviveu 3 meses, tênis desbotado da Osklen, bolsa da Cavalera descosturada em 2 semanas e camisetas Ellus que encolheram na 1ª lavagem. Erros de fabricação e defeitos são compreensíveis e nenhuma marca, por maior ou menor que seja, está livre destes acontecimentos. Ao mesmo tempo, é possível observar que grande parte das reclamações no ReclameAqui se referem à má qualidade do produto, não apenas a um defeito passível de troca.

Sustentabilidade vs custo-benefício no mercado de moda

A indústria de moda mundial tem seu reflexo visível de vitrine a vitrine no Brasil. O estilista nacional sofre com a concorrência das grandes grifes internacionais. O sucateado setor de tecelagem sofre o prejuízo da falta de políticas públicas que o ajudem a competir com a importação de tecidos chineses. No fim das contas, as marcas utilizam um tecido barato de baixa qualidade para poderem competir entre si. A reação transforma nossa sucata em pó e o cliente em um consumidor de moda com prazo de validade, no pior sentido da metáfora.

Pagar pela durabilidade de uma peça de roupa é o novo luxo. Entendo aqui ‘durabilidade’ como apenas alguns meses ou, com sorte, alguns poucos anos. Talvez exista alguma lógica entre produtos cada vez mais caros, qualidade cada vez mais baixa e um maior giro econômico. Afinal, se uma camiseta mal pode ser lavada 2 vezes é sinal de que o consumidor irá retornar às compras deixando mais dinheiro para o estilista (aquele comentado acima) preocupado com a concorrência. Ou ainda, o consumidor pode perceber que uma peça com mesma durabilidade e diferenças consideráveis de preço possa vir a ser um investimento interessante. Assim, ele dará mais dinheiro na mão dos grandes grupos de fast fashion, tirando-o da mão do estilista nacional que, por consequência, irá aumentar seus preços para poder sobreviver no mercado. 

Uma solução precisa surgir com rapidez e não pode ser descartável.

*Os relatos utilizados neste post são de inteira responsabilidade de seus autores. 




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21, Junho, 2012

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