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Entrevista com Robb Young
Uma conversa exclusiva sobre começo de carreira, moda, blogs e Brasil
por Jorge Abrão
Robb Young é um jornalista que escreve para o Financial Times, o International Herald Tribune e para o site da Vogue britânica. Além disso, ele também é consultor estratégico de algumas marcas e seu livro ‘Power Dressing: First Ladies, Women Politicians & Fashion’ foi muito bem recebido pela critica americana e européia.
O TrendCoffee teve uma chance exclusiva de conversar com ele sobre moda, blogs e essas coisas… 
TC - Sendo formado em Relações Internacionais, como e por que você decidiu entrar nos negócios de moda e jornalismo?
RY - A vida acadêmica foi muito boa e eu sou especialista em Política Econômica – algo que sou fascinado. Tudo estava planejado para uma vida na diplomacia ou uma carreira em alguma ONG. Depois da graduação, eu procurei por uma entrevista de estágio nas Nações Unidas em Nova Iorque. Acho que me sentia rebelde, idealista e bem estúpido, então me vesti  como sempre fiz em toda a minha vida. Mas quando cheguei na sede da ONU em Manhattan, ao passar pela segurança tirando todas as minhas jóias, foi a primeira vez na vida que tive vergonha do meu estilo próprio. Antes disso, sempre tive orgulho de ter coragem e visão para criar algo diferente de todos os outros. No caminho do elevador eu percebi que se fizesse parte de uma organização como as Nações Unidas não teria um jeito de eu ser verdadeiro comigo mesmo. Mas o mais importante: naquele momento no elevador eu tive absoluta certeza de que eles iriam me rejeitar assim que vissem minha roupa. Eu não vesti um terno para a entrevista, eu estava mais para uma roupa de boate em pleno dia. Não consigo lembrar de uma palavra que disse naquela entrevista e deixei o prédio andando o mais que rápido que jamais andei antes. Naquele momento eu percebi que estava vivendo um mundo de fantasia pensando que eles me permitiriam – justamente eu – ser a exceção do estrito dress code internacional político e econômico. Como eu era ridículo! Mas estranhamente eles me ofereceram a vaga. No entanto, eu sabia que viveria uma vida infeliz lá, então eu desisti do estágio. Tive uma crise de identidade por 3 meses antes de perceber que se as roupas eram agora, pela primeira vez, um problema na minha vida ao invés de algo que eu goste, então talvez elas fossem a solução. Me matriculei em um curso de curta duração na London College of Fashion e fiz minha transição para a moda (algo que não sabia nada naquela época) , e assim minha carreira começou.
TC -  O que é moda para você?
RY - Acho que posso definir moda de uma ou duas maneiras. Ou é ser consciente e seguir as regras prescritas pelo mercado e ambiente (em contraste com o estilo que é algo que poucas pessoas têm e não pode ser aprendido ou comprado). Ou talvez, mais inocente, é apenas um momento no tempo onde você se expressar através da roupa, penteado e make-up. Ela pode até mesmo ser um disfarce para algumas pessoas. Mas geralmente é uma experimentação permanente com a tentativa de encontrar uma identidade exterior com ou contra elementos da sociedade.
TC - Você veio recentemente ao Brasil. O que você acha sobre a moda brasileira? 
RY - Eu tenho ido para São Paulo e Rio de Janeiro e passado quase uma década assistindo aos desfiles. Então, eu acho que eu sei uma coisa ou duas sobre moda no Brasil. Eu escrevi em artigo no International Herald Tribune tentando dissipar alguns dos clichês, estereótipos e mitos sobre o estilo brasileiro - tropicália, biquínis e sambistas. Particularmente em São Paulo, onde há tanta variedade de subculturas e uma atitude cosmopolita em relação a design, é quase inútil falar sobre um ‘estilo brasileiro’, quando se trata de moda. Suponho, por outro lado, que há provavelmente algumas qualidades que geralmente têm uma presença maior do que em outros lugares, como sensualidade e alegria. Mas mesmo esses adjetivos são muito grandes, declarações arrebatadoras e só se aplicam a uma seleção dos designers e seus consumidores.
TC -  Seu livro fala sobre o guarda-roupa de mulheres poderosas e como elas se tornaram ícones da moda. Você acha que existem homens em posição semelhante que também são ícones de estilo?
RY - Meu livro não foi concebido para se concentrar apenas em mulheres que são ‘modelos’ em termos de como se vestem. Trata-se de todo o espectro de estilo político para as mulheres - o bom, o mau, o feio, o belo, o chato, os provocadores e de todos. Então, se eu fosse fazer um livro de políticos do sexo masculino, eu iria abordá-lo da mesma maneira. É claro que uma parte de mim provavelmente seria mais atento a registrar o estilo de ditadores, como Robert Mugabe, Kim Jong Il e Muammar Gaddafi, apenas porque eles tinham um estilo insano e não convencionais para os líderes políticos - estilo esse que reforça sua imagem.

Nas livrarias Cultura e Travessa
TC - Na sua opinião, o que faz um homem ser bem vestido e ter estilo? 
RY - Pessoalmente, acho que as mesmas regras se aplicam à moda feminina como à masculina. Os homens devem ter a mesma liberdade e variação de opções que as mulheres. É claro que nossos corpos são construídos de forma diferente, que é um fator determinante e eu não vejo um mundo estranho de todos vestidos de forma andrógina. Mas eu fico frustrado pela falta de escolha, imaginação e a falta de coragem da maioria dos homens em sociedade - e até mesmo a maioria dos homens no negócio de moda.
TC - Geralmente olhamos para Londres, NY, Paris e Milão para ver as tendências. Onde mais você acha que devemos olhar agora?
RY - Pode soar previsível, mas olhar para o ‘próximo Japão’, que significa o lugar onde a moda ocidental será adotada de forma inesperada, pois a história e a cultura começam em um lugar diferente do que as da sociedade ocidental. Lugares como China e Índia. Estes mercados têm algumas idéias muito diferentes sobre estilo que provavelmente irão nos fornecer as proposições mais interessantes nos próximos anos. Algumas das coisas que seus criadores irão propôr serão muito ruins e algumas provavelmente serão geniais. E talvez ainda mais no futuro, em lugares como Brasil e México, onde existe uma longa tradição ocidental, mas uma definição muito clara entre o velho mundo e o novo mundo.
TC - Alguns jornalistas não gostam muito de blogs de moda. Qual a sua opinião sobre eles? 
RY - Assim como nos mercados de ações, há certos momentos em que existem ‘bolhas’. Nos últimos 10 anos, tem havido alguns blogs cuja reputação e fama dispararam por causa da ‘bolha’ digital. Mas a maioria destes, que são bem conhecidos por grandes audiências ou influentes, são legítimos. 
Eu não tenho nenhum problema com os blogs. Eles são apenas parte do cenário da mídia em constante evolução. Acho que é um pouco injusto que algumas pessoas que trabalharam na indústria durante 3 décadas para chegar a um ponto que alguns blogueiros(as) alcançaram em 3 anos. Mas assim é a vida…  E, além disso, para cada blog super conhecido, existem muitos outros que são totalmente desconhecidos, que provavelmente têm muito a oferecer, o que é também injusto. Então, eu acho que após o período inicial da ‘bolha’, as coisas irão se normalizar e que a maioria dos vencedores na blogosfera terá ganhado o direito de reclamar a sua fama.
TC - Qual é seu conselho para quem quer trabalhar com moda?
RY - Essa questão é tão grande que não sei por onde começar. Eu acho que se eu fosse tentar oferecer algum conselho seria curto e doce. Então, seja fiel à sua estética, ofereça algo único ou algo de valor a um preço atraente. Estude o mercado, mas não seja um escravo dele. Saiba quando rejeitar as opiniões daqueles que supostamente importam e saiba quando tirar proveito do momento se alguma vez ele se apresentar para você. E talvez o mais importante de tudo é não ouvir muitos os conselhos, inclusive o meu. Siga seus instintos e não tenha medo de cometer alguns erros.
 - Moda Masculina

Entrevista com Robb Young

Uma conversa exclusiva sobre começo de carreira, moda, blogs e Brasil

por Jorge Abrão

Robb Young é um jornalista que escreve para o Financial Times, o International Herald Tribune e para o site da Vogue britânica. Além disso, ele também é consultor estratégico de algumas marcas e seu livro ‘Power Dressing: First Ladies, Women Politicians & Fashion’ foi muito bem recebido pela critica americana e européia.

O TrendCoffee teve uma chance exclusiva de conversar com ele sobre moda, blogs e essas coisas… 

TC - Sendo formado em Relações Internacionais, como e por que você decidiu entrar nos negócios de moda e jornalismo?

RY - A vida acadêmica foi muito boa e eu sou especialista em Política Econômica – algo que sou fascinado. Tudo estava planejado para uma vida na diplomacia ou uma carreira em alguma ONG. Depois da graduação, eu procurei por uma entrevista de estágio nas Nações Unidas em Nova Iorque. Acho que me sentia rebelde, idealista e bem estúpido, então me vesti  como sempre fiz em toda a minha vida. Mas quando cheguei na sede da ONU em Manhattan, ao passar pela segurança tirando todas as minhas jóias, foi a primeira vez na vida que tive vergonha do meu estilo próprio. Antes disso, sempre tive orgulho de ter coragem e visão para criar algo diferente de todos os outros. No caminho do elevador eu percebi que se fizesse parte de uma organização como as Nações Unidas não teria um jeito de eu ser verdadeiro comigo mesmo. Mas o mais importante: naquele momento no elevador eu tive absoluta certeza de que eles iriam me rejeitar assim que vissem minha roupa. Eu não vesti um terno para a entrevista, eu estava mais para uma roupa de boate em pleno dia. Não consigo lembrar de uma palavra que disse naquela entrevista e deixei o prédio andando o mais que rápido que jamais andei antes. Naquele momento eu percebi que estava vivendo um mundo de fantasia pensando que eles me permitiriam – justamente eu – ser a exceção do estrito dress code internacional político e econômico. Como eu era ridículo! Mas estranhamente eles me ofereceram a vaga. No entanto, eu sabia que viveria uma vida infeliz lá, então eu desisti do estágio. Tive uma crise de identidade por 3 meses antes de perceber que se as roupas eram agora, pela primeira vez, um problema na minha vida ao invés de algo que eu goste, então talvez elas fossem a solução. Me matriculei em um curso de curta duração na London College of Fashion e fiz minha transição para a moda (algo que não sabia nada naquela época) , e assim minha carreira começou.

TC -  O que é moda para você?

RY - Acho que posso definir moda de uma ou duas maneiras. Ou é ser consciente e seguir as regras prescritas pelo mercado e ambiente (em contraste com o estilo que é algo que poucas pessoas têm e não pode ser aprendido ou comprado). Ou talvez, mais inocente, é apenas um momento no tempo onde você se expressar através da roupa, penteado e make-up. Ela pode até mesmo ser um disfarce para algumas pessoas. Mas geralmente é uma experimentação permanente com a tentativa de encontrar uma identidade exterior com ou contra elementos da sociedade.

TC - Você veio recentemente ao Brasil. O que você acha sobre a moda brasileira? 

RY - Eu tenho ido para São Paulo e Rio de Janeiro e passado quase uma década assistindo aos desfiles. Então, eu acho que eu sei uma coisa ou duas sobre moda no Brasil. Eu escrevi em artigo no International Herald Tribune tentando dissipar alguns dos clichês, estereótipos e mitos sobre o estilo brasileiro - tropicália, biquínis e sambistas. Particularmente em São Paulo, onde há tanta variedade de subculturas e uma atitude cosmopolita em relação a design, é quase inútil falar sobre um ‘estilo brasileiro’, quando se trata de moda. Suponho, por outro lado, que há provavelmente algumas qualidades que geralmente têm uma presença maior do que em outros lugares, como sensualidade e alegria. Mas mesmo esses adjetivos são muito grandes, declarações arrebatadoras e só se aplicam a uma seleção dos designers e seus consumidores.

TC -  Seu livro fala sobre o guarda-roupa de mulheres poderosas e como elas se tornaram ícones da moda. Você acha que existem homens em posição semelhante que também são ícones de estilo?

RY - Meu livro não foi concebido para se concentrar apenas em mulheres que são ‘modelos’ em termos de como se vestem. Trata-se de todo o espectro de estilo político para as mulheres - o bom, o mau, o feio, o belo, o chato, os provocadores e de todos. Então, se eu fosse fazer um livro de políticos do sexo masculino, eu iria abordá-lo da mesma maneira. É claro que uma parte de mim provavelmente seria mais atento a registrar o estilo de ditadores, como Robert Mugabe, Kim Jong Il e Muammar Gaddafi, apenas porque eles tinham um estilo insano e não convencionais para os líderes políticos - estilo esse que reforça sua imagem.

Livro de Robb Young Power Dressing sobre o guarda-roupa de mulheres na política

Nas livrarias Cultura e Travessa

TC - Na sua opinião, o que faz um homem ser bem vestido e ter estilo? 

RY - Pessoalmente, acho que as mesmas regras se aplicam à moda feminina como à masculina. Os homens devem ter a mesma liberdade e variação de opções que as mulheres. É claro que nossos corpos são construídos de forma diferente, que é um fator determinante e eu não vejo um mundo estranho de todos vestidos de forma andrógina. Mas eu fico frustrado pela falta de escolha, imaginação e a falta de coragem da maioria dos homens em sociedade - e até mesmo a maioria dos homens no negócio de moda.

TC - Geralmente olhamos para Londres, NY, Paris e Milão para ver as tendências. Onde mais você acha que devemos olhar agora?

RY - Pode soar previsível, mas olhar para o ‘próximo Japão’, que significa o lugar onde a moda ocidental será adotada de forma inesperada, pois a história e a cultura começam em um lugar diferente do que as da sociedade ocidental. Lugares como China e Índia. Estes mercados têm algumas idéias muito diferentes sobre estilo que provavelmente irão nos fornecer as proposições mais interessantes nos próximos anos. Algumas das coisas que seus criadores irão propôr serão muito ruins e algumas provavelmente serão geniais. E talvez ainda mais no futuro, em lugares como Brasil e México, onde existe uma longa tradição ocidental, mas uma definição muito clara entre o velho mundo e o novo mundo.

TC - Alguns jornalistas não gostam muito de blogs de moda. Qual a sua opinião sobre eles? 

RY - Assim como nos mercados de ações, há certos momentos em que existem ‘bolhas’. Nos últimos 10 anos, tem havido alguns blogs cuja reputação e fama dispararam por causa da ‘bolha’ digital. Mas a maioria destes, que são bem conhecidos por grandes audiências ou influentes, são legítimos. 

Eu não tenho nenhum problema com os blogs. Eles são apenas parte do cenário da mídia em constante evolução. Acho que é um pouco injusto que algumas pessoas que trabalharam na indústria durante 3 décadas para chegar a um ponto que alguns blogueiros(as) alcançaram em 3 anos. Mas assim é a vida…  E, além disso, para cada blog super conhecido, existem muitos outros que são totalmente desconhecidos, que provavelmente têm muito a oferecer, o que é também injusto. Então, eu acho que após o período inicial da ‘bolha’, as coisas irão se normalizar e que a maioria dos vencedores na blogosfera terá ganhado o direito de reclamar a sua fama.

TC - Qual é seu conselho para quem quer trabalhar com moda?

RY - Essa questão é tão grande que não sei por onde começar. Eu acho que se eu fosse tentar oferecer algum conselho seria curto e doce. Então, seja fiel à sua estética, ofereça algo único ou algo de valor a um preço atraente. Estude o mercado, mas não seja um escravo dele. Saiba quando rejeitar as opiniões daqueles que supostamente importam e saiba quando tirar proveito do momento se alguma vez ele se apresentar para você. E talvez o mais importante de tudo é não ouvir muitos os conselhos, inclusive o meu. Siga seus instintos e não tenha medo de cometer alguns erros.




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26, Junho, 2012

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