![Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Um dos filmes mais esperados do ano chega aos cinemas trazendo caos à Gotham City e a volta de um dos heróis mais aclamados de todos os tempos
por Matheus Trucolo Conci
No século passado, um dramaturgo alemão chamado Bertolt Brecht disse que é infeliz o povo que precisa de um herói. Segundo ele, a figura esconderia o esforço coletivo que ajuda a construir algo maior e que realmente o faz personagem principal da sua história. Mas desde o princípio, conhecemos o mundo pelas figuras heroicas que o próprio povo produziu e que, de uma maneira ou outra, apoiou.
A frase não poderia ser mais verdadeira depois do final do último filme do Homem-Morcego. Após assumir a culpa de um crime que não cometeu, o herói vive no ostracismo durante oito anos. Porém, uma nova ameaça a Gotham City vai fazer o Cavaleiro das Trevas ressurgir. Em três linhas, a gente já fica na expectativa do novo e final capitulo da saga criada por Christopher Nolan, mas não temos nem ideia do que ainda o filme pode render.
Se a ideia de despedida já deixa muitos fãs de carteirinha e o público em geral com um aperto no peito, não é o mesmo para o diretor. Embora muitos desejassem vê-lo dar vida ao Pinguim, Charada, Hera Venenosa e o fiel companheiro Robin, Nolan já avisou que não seguirá dirigindo filmes do Homem-Morcego e ainda deixou uma dica valiosa para quem o fizer.
“O único toque que tenho é… Quando encontrei Paul Levitz [ex-publisher da DC Comics] pela primeira vez, antes de Batman Begins, ele me explicou claramente que Batman, mais do que outros super-heróis, depende de reinterpretações e quase se fortalece com elas. Isso vale para anos de quadrinhos e também para o cinema. Então quando a hora chegar, não importa quem assuma ou a visão que ele dê ao personagem, o importante é se manter verdadeiro a essa visão e acreditar nela, sem se preocupar muito com o que as pessoas acham que o Batman deveria ser.”
Mas não há motivos para desânimo. Como a maioria dos críticos internacionais – e os nacionais que tiveram a sorte de ver o filme em primeira-mão – o novo filme não decepciona e encerra a trilogia com o mesmo cuidado e capricho das outras partes. Agora, Gotham City vira uma cidade pacata e Bruce Wayne assiste a tudo sem participar. Até que chega Bane, o vilão do terceiro capitulo, que tentará perturbar a ordem da cidade e, consequentemente, despertar o Paladino da Justiça da sua hibernação. Tom Hardy assume o papel de Bane e as comparações com o Coringa de Heath Ledger serão óbvias, embora injustas. Se o Joker primava pelos shows pirotécnicos das suas ações, o novo vilão medirá a sua força com o herói no braço e o mistério das suas ações é que dá vida à história. Usando uma máscara durante todo o filme, Nolan deixou de propósito que algumas falas não fossem claras, de maneira que o público fosse descobrindo aos poucos e com suas atitudes os motivos de Bane.
Além de contar com o retorno de antigos personagens com os mesmos atores – Alfred, Lucius Fox e Comissário Gordom – é para o novo elenco feminino que se dobram as atenções. Após abrir mão de seu coração no último filme, Bruce vai encontrar o amor com Miranda Tate, papel de Marion Cotillard. Porém, as atenções – e as expectativas – são para Anne Hathaway, que incorpora a sua versão de Mulher-Gato. Depois de Michelle Pfeiffer parecia algo impensável que outra atriz pudesse superar o papel, ainda mais depois da nomeação de Hathaway. Muitos torceram o nariz por desconhecerem o seu lado mais dramático – indicada ao Oscar de Melhor Atriz por O Casamento de Rachel, ela provou que conseguia viver um personagem de cada vez, e não um personagem a carreira inteira. Além das cenas previamente divulgadas, os elogios vindos não só do diretor como do elenco à sua atuação prometem eternizar e reinventar a anti-heroina (?) mais famosa dos quadrinhos, sem contar os rumores de um filme só seu.
Depois de tudo isso, fica difícil não ficar ansioso para conferir o filme que será lançado no próximo dia 27. Com o segundo filme, O Cavaleiro das Trevas entrou para um patamar seleto de sequencias que são melhores que os filmes iniciais, como no caso de O Poderoso Chefão 2, e deixou o desafio para O Cavaleiro das Trevas Ressurge de não só superá-lo, como de encerrar uma das sagas dos quadrinhos no cinema de maior prestígio e bilheteria até o momento. Outro desafio que fica é: será que nessa onda de filmes 3D, o 2D do Homem-Morcego vai triunfar? Nolan preferiu gravar novamente o filme em IMAX, ou seja, nada de sessões com óculos de realidade aumentada. O filme já é a maior estreia 2D da história do cinema em um final de semana, com arrecadação de 160 milhões de dólares e a terceira, atrás de Os Vingadores e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.
Atrás de todos os números e boa recepção, é impossível não comentar a chacina ocorrida num cinema dos EUA durante a exibição do filme que deixou 12 mortos e 59 feridos. Parece que polêmicas rondam a trilogia desde o seu início – basta lembrar do abandono de Kate Holmes no segundo filme, das acusações sofridas por Bale de que teria batido na mãe e na irmã e da mais famosa de todas, a morte de Heath Ledger antes da estreia do segunda filme, papel que lhe rendeu o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante. Porém, como bom herói, será que Batman vai novamente superar os obstáculos e entrar para o patamar de trilogias clássicas do cinema? É o que estamos todos ansiosos para descobrir. - Moda Masculina](http://25.media.tumblr.com/tumblr_m7rnulO9Gr1qan0mao1_r1_500.jpg)
Um dos filmes mais esperados do ano chega aos cinemas trazendo caos à Gotham City e a volta de um dos heróis mais aclamados de todos os tempos
por Matheus Trucolo Conci
No século passado, um dramaturgo alemão chamado Bertolt Brecht disse que é infeliz o povo que precisa de um herói. Segundo ele, a figura esconderia o esforço coletivo que ajuda a construir algo maior e que realmente o faz personagem principal da sua história. Mas desde o princípio, conhecemos o mundo pelas figuras heroicas que o próprio povo produziu e que, de uma maneira ou outra, apoiou.
A frase não poderia ser mais verdadeira depois do final do último filme do Homem-Morcego. Após assumir a culpa de um crime que não cometeu, o herói vive no ostracismo durante oito anos. Porém, uma nova ameaça a Gotham City vai fazer o Cavaleiro das Trevas ressurgir. Em três linhas, a gente já fica na expectativa do novo e final capitulo da saga criada por Christopher Nolan, mas não temos nem ideia do que ainda o filme pode render.
Se a ideia de despedida já deixa muitos fãs de carteirinha e o público em geral com um aperto no peito, não é o mesmo para o diretor. Embora muitos desejassem vê-lo dar vida ao Pinguim, Charada, Hera Venenosa e o fiel companheiro Robin, Nolan já avisou que não seguirá dirigindo filmes do Homem-Morcego e ainda deixou uma dica valiosa para quem o fizer.
“O único toque que tenho é… Quando encontrei Paul Levitz [ex-publisher da DC Comics] pela primeira vez, antes de Batman Begins, ele me explicou claramente que Batman, mais do que outros super-heróis, depende de reinterpretações e quase se fortalece com elas. Isso vale para anos de quadrinhos e também para o cinema. Então quando a hora chegar, não importa quem assuma ou a visão que ele dê ao personagem, o importante é se manter verdadeiro a essa visão e acreditar nela, sem se preocupar muito com o que as pessoas acham que o Batman deveria ser.”

Mas não há motivos para desânimo. Como a maioria dos críticos internacionais – e os nacionais que tiveram a sorte de ver o filme em primeira-mão – o novo filme não decepciona e encerra a trilogia com o mesmo cuidado e capricho das outras partes. Agora, Gotham City vira uma cidade pacata e Bruce Wayne assiste a tudo sem participar. Até que chega Bane, o vilão do terceiro capitulo, que tentará perturbar a ordem da cidade e, consequentemente, despertar o Paladino da Justiça da sua hibernação. Tom Hardy assume o papel de Bane e as comparações com o Coringa de Heath Ledger serão óbvias, embora injustas. Se o Joker primava pelos shows pirotécnicos das suas ações, o novo vilão medirá a sua força com o herói no braço e o mistério das suas ações é que dá vida à história. Usando uma máscara durante todo o filme, Nolan deixou de propósito que algumas falas não fossem claras, de maneira que o público fosse descobrindo aos poucos e com suas atitudes os motivos de Bane.
Além de contar com o retorno de antigos personagens com os mesmos atores – Alfred, Lucius Fox e Comissário Gordom – é para o novo elenco feminino que se dobram as atenções. Após abrir mão de seu coração no último filme, Bruce vai encontrar o amor com Miranda Tate, papel de Marion Cotillard. Porém, as atenções – e as expectativas – são para Anne Hathaway, que incorpora a sua versão de Mulher-Gato. Depois de Michelle Pfeiffer parecia algo impensável que outra atriz pudesse superar o papel, ainda mais depois da nomeação de Hathaway. Muitos torceram o nariz por desconhecerem o seu lado mais dramático – indicada ao Oscar de Melhor Atriz por O Casamento de Rachel, ela provou que conseguia viver um personagem de cada vez, e não um personagem a carreira inteira. Além das cenas previamente divulgadas, os elogios vindos não só do diretor como do elenco à sua atuação prometem eternizar e reinventar a anti-heroina (?) mais famosa dos quadrinhos, sem contar os rumores de um filme só seu.

Depois de tudo isso, fica difícil não ficar ansioso para conferir o filme que será lançado no próximo dia 27. Com o segundo filme, O Cavaleiro das Trevas entrou para um patamar seleto de sequencias que são melhores que os filmes iniciais, como no caso de O Poderoso Chefão 2, e deixou o desafio para O Cavaleiro das Trevas Ressurge de não só superá-lo, como de encerrar uma das sagas dos quadrinhos no cinema de maior prestígio e bilheteria até o momento. Outro desafio que fica é: será que nessa onda de filmes 3D, o 2D do Homem-Morcego vai triunfar? Nolan preferiu gravar novamente o filme em IMAX, ou seja, nada de sessões com óculos de realidade aumentada. O filme já é a maior estreia 2D da história do cinema em um final de semana, com arrecadação de 160 milhões de dólares e a terceira, atrás de Os Vingadores e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

Atrás de todos os números e boa recepção, é impossível não comentar a chacina ocorrida num cinema dos EUA durante a exibição do filme que deixou 12 mortos e 59 feridos. Parece que polêmicas rondam a trilogia desde o seu início – basta lembrar do abandono de Kate Holmes no segundo filme, das acusações sofridas por Bale de que teria batido na mãe e na irmã e da mais famosa de todas, a morte de Heath Ledger antes da estreia do segunda filme, papel que lhe rendeu o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante. Porém, como bom herói, será que Batman vai novamente superar os obstáculos e entrar para o patamar de trilogias clássicas do cinema? É o que estamos todos ansiosos para descobrir.