Não seja normal, seja você mesmo
por Kelson Santos
Cada dia mais surgem vídeos que dão suporte a homossexuais, negros, deficientes e outros grupos menosprezados pela sociedade. Na teoria da internet vejo muito ativismo, mas no mundo fatídico nada mudou. As crianças – e adultos - continuam a sofrer bullying.
O bullying não começa pelos outros, pasmem. Lidando com a situação alguns anos mais tarde, percebi que quem mais praticava bullying era eu, comigo mesmo. A grande questão era a falta de segurança em mim. É como a impressão de estar mal vestido num evento importante e ficar desconfortável o tempo todo por causa disso. Basta o mínimo para que queiramos ir embora correndo.

Com a juventude e adolescência é muito fácil ser inseguro. A fase adulta inexorável emergindo à frente, as responsabilidades que surgem, o corpo crescendo e se modificando. É tudo bastante amedrontador. O mais seguro dos adolescentes tem a segurança de uma formiga sob o olhar de um elefante.
Isso só foi mudar mais tarde. Hoje tem todos esses vídeos de suporte para as vítimas de bullying, tem músicas que fazem ode à beleza individual, tem todo o tipo de apoio para as pessoas inseguras. Mas segurança não vem de fora. É uma criação que vem da mente de cada um de nós. Ela vai surgindo conforme enfrentamos as questões mais difíceis e definimos nossa personalidade, quando a maturidade vai batendo à porta e a capacidade de tirar lições de cada problema aparece.
Daí, quando estamos verdadeiramente seguros e sabemos quem somos, não importa mais nada. O mais habilidoso dos malvados não vai tirar a segurança de se ser quem é. Claro que ser seguro é difícil. Mas não é impossível. Se descobrir é um processo delicioso e aflitivo. O primeiro passo pode ser o mais complicado e o mais simples: Como você se descreve, como é sua personalidade e o quanto você é capaz de lidar com seus problemas? Essa é a parte de você que precisa de segurança.
Por isso, quando um amigo me perguntou o que poderia fazer quando ouvisse brincadeiras chatas, minha resposta foi simples. ‘Dá um murro na cara deles!’ Brincadeira. A resposta para bullying não é mais bullying, é educação. É educação primeiramente de si mesmo e depois para os outros. Afinal, quem pratica o bullying é tão inseguro quanto quem sofre.
No more bullying!