
A história do movimento é mais que um documentário, é um convite
por Juliana Fernandez
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São muitos os movimentos culturais capazes de fazer barulho, causando aquele indescritível comichão nas pessoas, fazendo-as levantar uma das sobrancelhas ou até mesmo arregalar os olhos. Entretanto, com o passar dos segundos a maioria deles cai em esquecimento, tornando-os sombras do que chegaram a ser. Outros, todavia, penetram tão profundamente em todo e qualquer objeto ao nosso redor que, ainda após décadas, são tão cheios de energia como foram em seu inicio.
Há muito tempo não estamos mais 1968, e quem viveu ou apenas observou a Tropicália não é o mesmo que hoje propõe estranhamentos culturais – quase como experimento cientifico – aos brasileiros.

Então como explicar porque ainda que quatro décadas e alguns anos depois a Tropicália ainda é espaçosa como um ser vivo para alguns e tremendamente pulsante e palpável para muitos outros?
Se vê, lê e ouve Tropicália tanto aqui, quanto lá fora. Ainda que seja um eco na forma das canções de Of Montreal e Beck, o que tem certa graça já que a antropofagia era uma das propostas do movimento. Um destino certo para uma explosão de tamanha grandeza, o bendito e às vezes maldito carnaval canibal de Baudrillard.
Não diferente de tudo que é muito precioso, ainda há muito a ser dito sobre o movimento e o documentário que leva seu nome é mais um capitulo em uma biografia já um tanto vasta, mas ainda longe de estar completa. Dirigido por Marcelo Machado, o documentário traz todos aqueles nomes já conhecidos, gente que conhecemos ainda que seja só de ouvir falar: Caetano, Gil, Tom Zé, Gal Costa, Torquato Neto, Mutantes…
Essencialmente um material rico para olhos e ouvidos, Tropicália enquanto documento comprovando a existência de um movimento singular em sua genialidade é mais que novas informações para fãs declarados, mas também um convite para toda e qualquer pessoa que viveu a vida inteira em volta dessas músicas, palavras e sensações, mas que ainda não sabia que nome dar para todos eles.