
A eterna juventude em confronto com a elegância da idade
por André Chiarati
Navegando por inúmeras páginas da internet, por entre blogs, portais e revistas de moda masculina, noto que a idade é algo deixado de lado, quase um dogma intocável. Poucos são os editoriais que mostram um pouco do que pode vir a ser a moda de um homem maduro nos dias atuais. Geralmente os mais antenados se restringem a um pequeno e seleto grupo, que representa, timidamente, uma grande parcela de homens que abriram mão daquela fase de modismos e afetações fashion para adotar um estilo personalizado e cheio de atitude.

É só dar uma olhada no almoço organizado pelo badalado Scott Schuman, na bela cidade de Florença, Itália. Um desbunde de estilo, elegância e cabelos brancos.

Isso me fez refletir sobre um tema meio batido: a eterna juventude. A busca incansável pela beleza juvenil sem fim move milhões de euros, dólar, reais, por ano. É cada vez mais comum – e bota comum nisso – homens na casa dos 40 anos se comportarem como se tivessem 20 anos. Não que o contrário não aconteça. Acontece. Porém é só dar uma olhada na quantidade de homens buscando técnicas de rejuvenescimento em consultórios médicos, em potes de cosméticos, em tinturas contra cabelos grisalhos, dietas mirabolantes e tudo mais que der aquela ajudinha contra os pés-de-galinha. Não sou contra, pelo contrário, acho que se cuidar deve ser sim uma das prioridades ao passar dos anos. Sou contra os excessos.
Quando me perguntam sobre os meus parcos cabelos brancos, faço questão de mostrá-los todos. São marcas de uma vida bem vivida. E isso que ainda nem chamam tanta atenção assim. Se vejo um homem na rua, charmoso, bem vestido, de cabelos brancos e rugas, não tenho como não reparar. Afinal, em uma sociedade que exalta a juventude eterna, modelos masculinos com mais idade passam a ser coisa rara. Geralmente estes homens bem vestidos usam e abusam de uma elegância nata conquistada ao longo dos anos. São gestuais, olhares, andares, posturas que indicam que este é um homem elegante.

O tempo costuma ser bom para quem é bom com ele, não brigue contra isso.
Já diz o ditado que homens são como vinhos: ao passar dos anos os bons viram ótimas safras, e os maus, vinagres. Roupa cara não esconde educação barata. Um homem que chega aos seus 40, 50, 60 ou 70 anos trajando looks indiscutivelmente elegantes sabe que a moda passa, mas o estilo fica - como diria Chanel.
Eles assumem os cabelos brancos e as rugas de expressão, sem se intimidar com isso. Ostentam suas marcas de vida como medalhas.
A coisa caminha para que cada vez mais as referências maduras se tornem banais, vide Banderas, Clooney, Gere, Bardem, Fagundes e Borges. Estamos envelhecendo em maior número e chegando cada vez mais longe – 100 anos virou fichinha. Na versão feminina elas nunca estiveram tão em alta.

As mulheres perceberam muito antes a falta que faz modelos mais velhas e que demonstram toda sua juventude estampando rugas e cabelos brancos, tal como Dell’Orefice e Brunet.
Nunca esteve tão em alta ser original, em todos os sentidos.