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O Mestre
Novo drama do diretor Paul Thomas Anderson critica o fanatismo religioso e causa polêmica
por Matheus Trucolo Conci

O que mais iremos ler a respeito de Paul Thomas Anderson é que ele não é um diretor para as massas. É difícil mesmo aceitar uma chuva de sapos (Magnólia) ou um roteiro cheio de referências diretas ao mundo pornô (Boogie Nights). E não se iluda, mesmo com atores conhecidos – e queridos – do público, seu novo trabalho está longe de arrastar multidões aos cinemas, o que, novamente, não diminui a sua originalidade.

Estou falando de O Mestre, novo drama do diretor, ambientado logo após o fim da Segunda Guerra. Joaquin Phoenix – não, ele não virou um rapper como havia planejado – é Freddie, ex-marinheiro que retorna para os EUA e só se mete em confusão por causa do seu vício com o álcool. Até que um dia acaba conhecendo o líder carismático de uma seita, Lancaster, vivido por Philip Seymour Hoffmann. De cara, ambos aceitam trabalhar juntos e Phoenix acompanha seu novo mestre pelas suas andanças às mansões de seus seguidores, onde acontecem os encontros.



O filme poderia cair em apenas uma crítica indireta à cientologia, já que a mídia americana reforça as semelhanças em cada resenha dirigida à obra, mas vai muito além. Embora tenha um começo bem morno – confesso que quase cochilei em menos de 20 minutos – o roteiro se torna brilhante a partir do momento que Phoenix é ‘entrevistado’ por Hoffmann em uma sequencia que vocês não podem piscar, literalmente. Depois disso, somos tomados por uma reflexão sobre o quanto podemos ser seduzidos por alguém que tenha um bom discurso – ou não -  e o quanto isso pode conduzir nosso destino ou não. Anderson tinha um caminho seguro ao conduzir o filme de maneira que o personagem de Joaquin fosse sendo envolvido pela seita, mas o que vemos é como buscamos moldar nossos credos naquilo que desejamos e que julgamos como certo – como na brilhante cena onde Hoffman canta junto com os seus seguidores enquanto é observado por Phoenix.

O roteiro merece muitos méritos, por conduzir de maneira sutil tal provação, mas as atuações devem ser destacadas. Joaquin está excelente como sempre, em um papel digno de Oscar se não fosse a presença de Daniel Day-Lewis na mesma disputa – não que o segundo seja melhor que ele, mas convenhamos que a Academia tem tudo para premiar Lewis com sua atuação por Lincoln. Seu ex-marinheiro transtornado, alcoólatra e ainda apaixonado por uma jovem que deixou antes da guerra consegue transmitir toda a complexidade em um trabalho forte e definitivamente marcante em seu currículo. Philip Seymour está excelente também, embora tenha nuances de papéis antigos dele como um boa-praça, porém, é sua esposa, papel vivido por Amy Adams que merece um destaque especial. Cansado de vê-la interpretando papéis frágeis e extremamente delicados – com exceção de O Vencedor - em O Mestre, Amy Adams dá um show de maturidade, não só da sua personagem como também em sua carreira, mostrando força e determinação de uma mulher disposta a tudo quando aquilo que está em jogo é sua fé e os seus valores. 

Mais do que merecido, o trio principal forma os únicos representantes desta obra no Oscar, nas categorias de Melhor Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante. Negligenciada em outras categorias, como Filme, Diretor e Roteiro, críticos apontam a presença de muitos membros votantes da Academia vinculados à Cientologia, que podem ter visto na obra uma maneira bastante provocadora de cutucar a seita. Verdade ou não, o que interessa é que o prêmio máximo do cinema nunca foi parâmetro para a genialidade – duvidosa, às vezes – de Paul Thomas Anderson, que merece todos os elogios pela sua ousadia e delicadeza ao falar mais uma vez sobre fé, sem parecer piegas ou repetitivo. E sem tentar empurrar goela abaixo de ninguém a sua opinião, como estamos acostumados a ver por aí.  - Moda Masculina

O Mestre

Novo drama do diretor Paul Thomas Anderson critica o fanatismo religioso e causa polêmica

por Matheus Trucolo Conci

O que mais iremos ler a respeito de Paul Thomas Anderson é que ele não é um diretor para as massas. É difícil mesmo aceitar uma chuva de sapos (Magnólia) ou um roteiro cheio de referências diretas ao mundo pornô (Boogie Nights). E não se iluda, mesmo com atores conhecidos – e queridos – do público, seu novo trabalho está longe de arrastar multidões aos cinemas, o que, novamente, não diminui a sua originalidade.

Novo filme de Paul Thomas Anderson, o Mestre

Estou falando de O Mestre, novo drama do diretor, ambientado logo após o fim da Segunda Guerra. Joaquin Phoenix – não, ele não virou um rapper como havia planejado – é Freddie, ex-marinheiro que retorna para os EUA e só se mete em confusão por causa do seu vício com o álcool. Até que um dia acaba conhecendo o líder carismático de uma seita, Lancaster, vivido por Philip Seymour Hoffmann. De cara, ambos aceitam trabalhar juntos e Phoenix acompanha seu novo mestre pelas suas andanças às mansões de seus seguidores, onde acontecem os encontros.

O filme poderia cair em apenas uma crítica indireta à cientologia, já que a mídia americana reforça as semelhanças em cada resenha dirigida à obra, mas vai muito além. Embora tenha um começo bem morno – confesso que quase cochilei em menos de 20 minutos – o roteiro se torna brilhante a partir do momento que Phoenix é ‘entrevistado’ por Hoffmann em uma sequencia que vocês não podem piscar, literalmente. Depois disso, somos tomados por uma reflexão sobre o quanto podemos ser seduzidos por alguém que tenha um bom discurso – ou não -  e o quanto isso pode conduzir nosso destino ou não. Anderson tinha um caminho seguro ao conduzir o filme de maneira que o personagem de Joaquin fosse sendo envolvido pela seita, mas o que vemos é como buscamos moldar nossos credos naquilo que desejamos e que julgamos como certo – como na brilhante cena onde Hoffman canta junto com os seus seguidores enquanto é observado por Phoenix.

Cena O Mestre

O roteiro merece muitos méritos, por conduzir de maneira sutil tal provação, mas as atuações devem ser destacadas. Joaquin está excelente como sempre, em um papel digno de Oscar se não fosse a presença de Daniel Day-Lewis na mesma disputa – não que o segundo seja melhor que ele, mas convenhamos que a Academia tem tudo para premiar Lewis com sua atuação por Lincoln. Seu ex-marinheiro transtornado, alcoólatra e ainda apaixonado por uma jovem que deixou antes da guerra consegue transmitir toda a complexidade em um trabalho forte e definitivamente marcante em seu currículo. Philip Seymour está excelente também, embora tenha nuances de papéis antigos dele como um boa-praça, porém, é sua esposa, papel vivido por Amy Adams que merece um destaque especial. Cansado de vê-la interpretando papéis frágeis e extremamente delicados – com exceção de O Vencedor - em O Mestre, Amy Adams dá um show de maturidade, não só da sua personagem como também em sua carreira, mostrando força e determinação de uma mulher disposta a tudo quando aquilo que está em jogo é sua fé e os seus valores. 

O Mestre chega aos cinemas brasileiros

Mais do que merecido, o trio principal forma os únicos representantes desta obra no Oscar, nas categorias de Melhor Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante. Negligenciada em outras categorias, como Filme, Diretor e Roteiro, críticos apontam a presença de muitos membros votantes da Academia vinculados à Cientologia, que podem ter visto na obra uma maneira bastante provocadora de cutucar a seita. Verdade ou não, o que interessa é que o prêmio máximo do cinema nunca foi parâmetro para a genialidade – duvidosa, às vezes – de Paul Thomas Anderson, que merece todos os elogios pela sua ousadia e delicadeza ao falar mais uma vez sobre fé, sem parecer piegas ou repetitivo. E sem tentar empurrar goela abaixo de ninguém a sua opinião, como estamos acostumados a ver por aí. 




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Fotos: Divulgação

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28, Janeiro, 2013 l Direitos reservados l 2 likes

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