Elijah Wood vive psicopata obcecado por manequins em ‘Maníaco’
por Raphael Moroz
Desconcertado e chocado. Essas duas palavras definem o que senti após ter assistido ao absurdamente sangrento ‘Maníaco’, refilmagem do filme de 1980. A história revela os desejos do assassino e mentalmente perturbado Frank, interpretado por um Elijah Wood um tanto esquisito, que sai à caça de jovens mulheres durante a noite para sessões de tortura seguidas de morte. Após cada assassinato, vale ressaltar, ele leva de recordação tufos generosos dos cabelos de suas vítimas. Esses tufos, por sua vez, acabam embelezando as manequins da loja que Frank herdou da família.

Apesar de uma sequência inicial que termina de forma pavorosa, com direito a um letreiro gigantesco evidenciando o nome do filme (por um segundo, me vi assistindo a um dos filmes da série ‘Todo mundo em pânico’), ‘Maníaco’ tem um bom desenvolvimento. A cada cena, conhecemos melhor Frank, suas “aventuras” e seu trauma – que, obviamente, envolve seu relacionamento com a mãe durante a infância. Também somos apresentados a Anna (Nora Amezeder), uma fotógrafa que se apaixona pelos manequins da loja de Frank e passa a manter uma relação ambígua com o rapaz, ora demonstrando que se interessa amorosamente por ele, ora tratando-lhe apenas como amigo. Sem o retrato desse relacionamento, o filme seria apenas um mar de sangue e violência, uma besteira trash qualquer.
Minto. Tecnicamente, ‘Maníaco’ me surpreendeu. Não me refiro às cenas de extremo mal gosto em que as jovens indefesas – ou não – do filme são escalpeladas aos berros. Eu me refiro à câmera subjetiva que faz com que enxerguemos através dos olhos de Frank. Em ‘Maníaco’, o uso desse recurso – que, se empregado fora de contexto, pode arruinar um filme – foi uma decisão mais que acertada. Essa câmera subjetiva colabora, em muito, para que nos coloquemos dentro da mente doentia e confusa de Frank e, apesar de causar desconforto, o recurso funciona brilhantemente.

Não posso deixar de falar também sobre a atuação de Elijah Wood. Há 93 milhões de milhas do corajoso Frodo e dos “bons garotos” que interpretava quando era criança (como em ‘O anjo malvado’ e ‘Pedaços de uma vida’), Wood nos oferece uma leitura madura e interessante de Frank. Vale ressaltar, nesse sentido, o bom trabalho vocal do ator, que acompanha com determinação as nuances psicológicas do personagem.

A despeito dos exageros, ‘Maníaco’ pode ser considerado como uma abordagem criativa a respeito do trauma psicológico ocasionado por abusos de diversas ordens e das possíveis consequências disso. Todavia, se o diretor Franck Khalfoun tivesse pesado um pouco menos a mão, privilegiando mais a sutileza, nossos estômagos – e cérebros – agradeceriam.
Nota do editor: ‘Maníaco’ tem previsão de estreia 30 de agosto nos cinemas nacionais, mas se você não aguentar esperar até lá pode vê-lo em casa!
Kill Bill, Ryan Gosling e diretor de Drive se encontram na cena do crime organizado de Bangkok
por Pedro Wallach
É quase impossível assistir ao trailer de Only God Forgives e não se lembrar de Tarantino. Se a princípio parece uma tentativa suja de repetir o estilo de direção deste, com o passar do vídeo, notamos uma realidade e sensibilidade diferentes.

Diferente de Tarantino, em que os filmes têm cenas consistentes e um apelo natural à violência, notamos na construção das cenas de Nicolas Winding Refn sensibilidade, realismo, fragilidade e personagens mais humanos, tão presentes em seu fantástico último filme, ‘Drive’. Enquanto Tarantino cria sua visão do nosso mundo com distanciamento, Nicolas se aproxima ao dar visceralidade a um filme surreal e ao trazê-lo para nossa realidade.

Estilos de direção à parte, ‘Only God Forgives’ contará a história de um clube de Muai Thai dirigido por Julian (Ryan Gosling) que é mantido para disfarçar os negócios da família com o contrabando. A reviravolta ocorre quando o irmão de Julian é morto e sua mãe retorna para obrigá-lo a perseguir e matar a pessoa que assassinou seu irmão.
Julian é um americano que vive em Bangkok e é muito respeitado no submundo do crime na cidade. Sua mãe, Jenny Hopkins, é citada como uma matriarca assustadora e sem compaixão da máfia. Aqui fica clara a influência de Tarantino na carreira de Nicolas – as temáticas e até a construção de personagens são parecidas. Mas, para citar outra diferença, o estilo de Nicolas tem um ar latino não tão presente em Tarantino.

‘Only God Forgives’ estreia nos cinemas americanos no dia 19 de julho e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. O longa foi selecionado para concorrer a Palme d’Or no Festival de Cannes deste ano – que inclusive está acontecendo agora - e será exibido no festival no dia 22 de Maio.

Se Nicolas está tentando copiar o estilo de Tarantino, é uma incógnita. O diretor de Kill Bill tem grande influência no meio cinematográfico por sua originalidade indiscutível – do movimento chamado Cinema de Autor. Importante ressaltar que ‘Only God Forgives’ foi feito para ser parte da lista de melhores tipos de filme que podem ser feitos: os que ao mesmo tempo unem o artístico e o comercial. Em outras palavras, tem uma construção artística coesa e profissional, mas não é tedioso e agrada a quem vê. E como o trailer é a forma de sintetizar a forma hedônica do filme e passar suas ideias para o público, nós definitivamente podemos esperar uma incrível obra de arte de Only God Forgives.
Neste dia das mães, relembre algumas das mais terríveis e negligentes mães do cinema
por Raphael Moroz
Mãe é sinônimo de amor, carinho e apoio, certo? No cinema, nem sempre. Para sair do senso comum, o Trend Coffee resolveu relembrar 5 das mais terríveis e negligentes mães já vistas nas telonas. Tá curioso pra saber quem são essas geniosas genitoras? Então confira a lista!
Piper Laurie em “Carrie, a estranha”, de 1976

Se a Carrie (Sissy Spacek) da primeira versão, dirigida por Brian De Palma, já era demasiadamente estranha, sua mãe no filme conseguia superá-la.
Motivada por uma religiosidade desmedida, que pendia mais para o mal do que para o bem, a Margareth de Piper Laurie trancafiava a filha em casa quando bem queria, evitando que ela tivesse uma vida social, e chegou a considerá-la pecadora por ter menstruado pela primeira vez. A casa onde ambas moravam, vale relembrar, era um show de horrores à parte, com imagens de escultura, cruzes e velas por todo canto. O ápice do fanatismo religioso e da loucura de Margareth dá-se quando esta, convencida de que a filha é guiada por forças do mal, tenta matá-la a facadas.
Mo’Nique em “Preciosa”, de 2010

Comportamentos negligentes e abusivos em uma só mãe. Se você está se perguntando se isso é possível, a resposta é “sim”. Além de tratar a filha, Precious (Gabourey Sidibe), à base de empurrões e xingamentos, Mary (Mo’Nique), do filme ‘Preciosa’, a obrigava a cozinhar e a limpar a casa. Além disso, o filme aborda o ciúme doentio que Mary sentia de Precious, já que seu ex-marido violentava repetidas vezes a própria filha, fazendo com que ela engravidasse de uma criança com síndrome de Down.
A atuação da comediante Mo’Nique – o ponto alto do filme – é de arregalar os olhos e cair o queixo. Nunca se viram cenas de abuso físico e psicológico tão gritantes como em ‘Preciosa’.
Julianne Moore em “Pecados inocentes”, de 2008

“Foi um milagre eu ter voltado para casa naquela noite em vez de ficar fora até de manhã, como costumo fazer. E foi um milagre que, quando cheguei, ela ainda estivesse viva. Cuidar da mamãe era a sua função. E quando você foi embora, Brooks, cuidar da mamãe se tornou minha herança”.
Esse desabafo, expresso em uma carta do jovem Antony (Eddie Redmayne) para o pai, revela um pouco da essência da relação doentia entre aquele e sua mãe. Muito parecidos física e psicologicamente, Antony e Barbara (Julianne Moore) mais parecem marido e mulher do que filho e mãe em ‘Pecados inocentes’. Entre negligência e extrema indiferença com o estado psicológico de Antony, Barbara não se importa em seduzir o namorado do filho e usá-lo em seus jogos mesquinhos e nos planos contra o ex-marido. Baseado em fatos reais, prepare-se para um final surpreendente. Para quem gosta de psicanálise, ‘Pecados Inocentes’ é um prato cheio!
Barbara Hershey em “Cisne negro”, de 2011

Disciplina e perfeição extremas. Essas são as imposições de Erica (Barbara Hershey) para a filha, Nina (Natalie Portman), uma bailarina doce e ambiciosa, em ‘Cisne negro’.
As cobranças da mãe, que também fez carreira na dança, eram tantas que Nina acabou incorporando-as como regras internas. No filme, destacam-se as cenas em que, depois de tanto ser “podada” e vigiada pela mãe, Nina começa a revelar o seu lado sombrio e agressivo.
Meryl Streep em “Kramer vs. Kramer”, de 1979

É impossível falar de mães no cinema e não mencionar Meryl Streep, que já interpretou várias delas. Em “Kramer vs Kramer”, sua personagem, Joanna, abandona o marido e o filho pequeno para descobrir sua função no mundo e tornar-se um ser humano completo, como ela mesmo alega.
Sobrecarregado com o trabalho e com os cuidados em relação ao filho, Ted (Dustin Hoffman) é obrigado a desempenhar as funções materna e paterna. Depois de quase um ano e meio afastada, Joanna volta com o objetivo de obter a guarda do filho. O filme levantou vários questionamentos importantes na época: teria Joanna esse direito, sendo que ela abandonou o filho? Estava ela certa ao priorizar, em sua vida, a completude existencial? Com quem o garoto merecia ficar? Trata-se de obra indispensável quando se fala em mães e pais, que vale a pena ser vista, revista e pensada.
É super fácil tomar para si a dor de um personagem, mas quando o sofrimento vem daquela que devia protegê-lo de todo mundo, tudo fica mais intenso. O Trend Coffee citou apenas cinco das personagens mais complexas (e odiadas!) da história do cinema, mas há, sem a menor dúvida, milhares de outras mães tão assustadoras quanto essas na sétima arte. Se você ainda não conhece alguma das histórias mencionadas acima, não perca tempo! Clique nos links abaixo e assista em casa!
Carrie – A Estranha l Preciosa l Cisne Negro
Kramer VS Kramer l Pecados Inocentes
Você vai, definitivamente, querer saber o que ele fez em um filme que mostra como uma atitude pode condenar uma vida inteira
por Raphael Moroz
Aos 18 anos, Richard (Jack Reynor) tem tudo: amigos leais, pais atenciosos, dinheiro, uma carreira esportiva brilhante e olhos verdes que são capazes de conquistar qualquer garota. Tem também um relacionamento amoroso prestes a tomar forma com a garota de seus sonhos, a quem confessa seus medos e sonhos. O que Richard aparentemente não tem é a garantia de que “sua” garota lhe dedica a mesma exclusividade emocional, já que esta vive dando mole para um dos colegas de time de rúgbi do jovem.

A trama do irlandês ‘O que Richard fez’ lhe é familiar? Você já deve ter visto essa mesma linha narrativa diversas vezes, em filmes com os mais diversos títulos, certo? Errado. ‘O que Richard fez’ não trata de relacionamentos amorosos, pelo menos não diretamente. O filme trata da mudança, da irreversibilidade e da dor, escancarando a todo momento a condição do ser humano diante dos problemas que podem lhe acometer subitamente: pequeno, insignificante.

Mas como a dor, algo tão incompatível com Richard, poderia devastá-lo a ponto de mudar a sua formidável condição existencial? Uma das atrações do longa é justamente a expectativa acerca do que o personagem-título fará de tão grave. Seria essa atitude de Richard um ato criminoso ou meramente simbólico? De que magnitude? Com quais consequências? A única coisa que posso mencionar é o fato de que, à medida que o relacionamento de Richard torna-se mais sério, o descompasso entre o grau de comprometimento emocional dele e da namorada fica mais evidente. Devido a isso, sentimos a tensão aumentar. Em alguns momentos, cheguei até a me sentir ridículo, questionando minha preocupação acerca do desfecho da história. “Por que estou tão preocupado? Descompassos emocionais de natureza amorosa acontecem o tempo todo! O que de tão grave pode ocorrer a partir disso?”, pensava.
Quando o tão esperado fato ocorre, o tom de ‘O que Richard fez’ muda completamente. Passamos a vivenciar, com Richard, uma fase de luto e dor extrema. Nesse momento, um a um, os amigos do personagem-título lhe dão as costas. Seus pais, mesmo que não de maneira escancarada, também. É linda e chocante a cena em que o pai de Richard o procura para conversar. Linda porque ele se mostra completamente disposto a ouvir e apoiar o filho, acolhendo-o independentemente do que ele tenha feito; chocante porque, após ouvir a confissão de Richard, esse acolhimento se transforma em frieza, em indiferença. Diante de tanta carga emocional, nós, espectadores, acabamos sendo invadidos por sentimentos controversos e duros. Sofremos com Richard, mas também entendemos a atitude do pai.

‘O que Richard fez’ me surpreendeu. Confesso que, até a primeira metade do filme, não imaginava como uma trama tipicamente adolescente como a de Richard poderia atrair a minha atenção até os créditos finais. E atraiu. E me fez pensar em como tudo – absolutamente tudo – pode mudar da noite para o dia, para a nossa alegria ou não.
Ficou curioso sobre o que Richard fez? Então veja em casa!
Filme sobre psicofarmacologia é aclamado como o “primeiro filme de verdade de 2013”
por Pedro Wallach
A psicofarmacologia estuda a relação entre o uso de substâncias químicas e o efeito destas no comportamento e no humor. Não achando este pressuposto o bastante, a história de ‘Terapia de Risco’ cria uma confusão dentro deste conceito.

O psiquiatra Jonathan Banks prescreve uma droga em teste para sua paciente, Emily Taylor, que está sofrendo de depressão após a liberdade de seu marido ex-presidiário. Ela tenta suicídio duas vezes, até que o médico receita a droga experimental Ablixa. A droga faz o quadro de Emily melhorar, mas ela ocasionalmente tem crises de sonambulismo. E, sonâmbula, esfaqueia seu marido Martin até a morte.

A carreira de Jonathan é destruída. Insatisfeito com o rumo que as coisas tomam, decide abrir uma investigação e acaba descobrindo evidências de que Emily teria fingindo suas duas tentativas de suicídio. Assim, teria esfaqueado seu próprio marido conscientemente. A questão levantada é: ela estaria sob efeito de drogas? E se não estivesse, porque o fingiria?
Vencedor do Oscar de Melhor Diretor em 2000 por ‘Traffic’, Steven Sodenbergh também dirigiu ‘Magic Mike’. Seu novíssimo filme está sendo bem criticado – sendo, inclusive, chamado de “um filme de Hitchcock pós-moderno”.
Ainda se referindo a Hitchcock, a crítica de Peter Bradshaw, do The Guardian inglês, afirmou que Rooney Mara – no papel de Emily Taylor – atua no melhor estilo hitchockiano: sua personagem assusta, ao mesmo tempo em que se mostra com medo.

Só para que não pareça que a unanimidade de comentários sobre o filme é positiva, a crítica do The Hollywood Reporter caracterizou o filme como “intragável”, dizendo que a história acaba se confundindo em si mesma e vendendo situações inacreditáveis dentro do próprio roteiro. Talvez o filme tenha se perdido na sua própria tentativa de genialidade – e os mais céticos encontraram essa genialidade por debaixo de certa confusão. Agora, depende de quem assiste interpretar essa confusão como proposital ou não.

O elenco de peso do filme promete segurar as pontas na atuação – tornando-se mais um ponto positivo na obra. Channing Tatum interpreta o papel de Martin, Jude Law de Jonathan Banks, Catherine Zeta-Jones da Dra. Victoria e, como já citado, Rooney Mara de Emily Taylor.
‘Terapia de Risco’ chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 15 de maio.
O Trend Coffee selecionou 5 filmes que marcaram a história do cinema
por Matheus Trucolo Conci
Um filme para ser considerado cult, ao contrário do que muita gente acredita, não precisa ser aclamado pela crítica, ser europeu ou ter sido ovacionado em algum festival independente. Na verdade, ele pode ter sido rechaçado pelos especialistas da sétima arte e ter sido um fracasso de público na telona. Para receber o título de cult, a obra precisa de um grupo de fãs devotos, sem a necessidade de ter agradado a crítica – ao menos no primeiro momento.
O Trend Coffee reuniu cinco representantes da sétima arte que não tiveram uma boa recepção de público e nem de crítica, mas que marcaram, cada um à sua maneira, a história do cinema.

Acredite se quiser, mas o filme de Ridley Scott dividiu a opinião da crítica e foi uma das bilheterias de maior fracasso no ano de sua estreia. A história futurista de um caçador de andróides ganhou fãs apaixonados pela estética retrofit – modernização de algum objeto já considerado ultrapassado – e pelo seu gênero neo-noir, algo como uma homenagem aos famosos filmes noir dos anos 40.
Levou mais de uma década para que o filme ganhasse o seu devido reconhecimento, sendo considerado hoje, culturalmente, historicamente e esteticamente significante pela National Film Registry – seleção de filmes que são preservados pela Biblioteca do Congresso norte-americano.

Muito antes de virar episódio em Glee ou ser citado em As Vantagens de Ser Invisível, RHPS teve um começo difícil. A sinopse bizarra de um musical protagonizado por um casal que se perde na floresta e encontra uma mansão mal-assombrada comandada por um travesti já era um convite para escolher outro programa mesmo. Porém, ele logo se tornou querido do público por estrear a onda das sessões à meia-noite, que ganharam números musicais interpretados pela plateia durante a transmissão.
O filme detém o recorde de permanência de exibição – um cinema alemão ainda transmite a obra desde 1977 uma vez por semana – e no site oficial do fã-clube, você encontra um guia (!) para os marinheiros de primeira viagem.

Parece que 1982 não foi um bom ano para os filmes futuristas. Tron teve a sua estréia coincidindo com a de E.T – O Extraterrestre, além de contar com um roteiro recheado de referências nerds, como programação e hardwares o que, na época, não era tal cool como hoje.
O resultado foi um baixo desempenho nas bilheterias para a Disney que viu, anos mais tarde, o filme se tornar referência na utilização de computação gráfica em larga escala na telona.

Foi e – se corrigido para os valores de hoje – ainda é o filme mais caro na história do cinema. Também detém o posto de primeira atriz a receber um milhão de dólares para protagonizar uma película, além dos quase cinco anos de produção, inúmeras trocas de diretor e de elenco e ser considerado, na época, um dos maiores fracassos – embora tenha conseguido recuperar o valor anos mais tarde. Cleópatra ainda é um marco no cinema por contar com toda a exuberância de Elizabeth Taylor e suas mais de 60 trocas de figurinos – um recorde dentro da sétima arte – além da história da rainha mais famosa do mundo, que ficou em segundo plano durante as gravações pela história extraconjugal da atriz com o colega de cena, Richard Burton.
Com duração de quatro horas, o filme não agradou de imediato, embora tenha vencido quatro prêmios da Academia, todos em quesitos técnicos, como efeitos especiais e figurino.

Talvez seja o primeiro filme Cult e um dos mais polêmicos. Ainda hoje causa repulsa a história de uma equilibrista que seduz um anão para que se casem enquanto, na verdade, ela só está interessada na sua herança. Passado em um circo, conta com personagens com anomalias reais – como irmãs siamesas e um homem-tronco – o que causou comoção na crítica, que condenou e, em alguns casos, ainda condena o filme pela participação destes em cena. A história custou a carreira do promissor diretor, mesmo que os fãs defendam que o filme seja uma dura e ácida crítica à parte mais escura do ser humano e que o jogo de aparências nem sempre condiz com o verdadeiro caráter.
O que dá pra sentir depois dessa lista é que muitas vezes não estamos preparados para um filme que se apresenta transgressor demais para o seu tempo. Há alguns casos atuais para citar, talvez – eu chutaria A Árvore da Vida, mas ainda quero que você goste de mim e dos meus textos – mas a questão é que a gente precisa aproveitar a sétima arte como um entretenimento pessoal, sem se preocupar com a apreciação de crítica ‘especializada’ e ter a nossa opinião sobre os fatos. E pra isso, caro leitor, só assistindo mesmo.