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Rede Cinemark comemora seus 15 anos no Brasil trazendo festival de cinema argentino com filmes inéditos
por Felippe Brana
É muito festival de cinema incrível rolando em todo o Brasil! Depois de comentar sobre o ‘Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba’, que traz filmes independentes do mundo inteiro de hoje à 4 de junho, chegou a vez do cinema argentino invadir os cinemas de algumas cidades brasileiras!
Em comemoração aos seus 15 anos no Brasil, a rede Cinemark está promovendo o I Festival de Cinema Argentino em quatro cidades. São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre receberão o evento, que conta com cinco filmes inéditos, entre eles o premiado ‘Las Acacias’, vencedor da Câmera D’or do Festival de Cannes de 2011.
Dá só uma olhada na agenda do evento:
São Paulo – 01.06 à 06.06
Rio de Janeiro – 22.06 à 28.06
Florianópolis - 10.08 à 16.08
Porto Alegre – 24.08 à 30.08
No site da rede Cinemark você pode conferir a programação para São Paulo, que acontecerá no Shopping Cidade Jardim, além ler a respeito dos longas que estarão no festival. Há filmes incríveis esperando por você, aproveita!
Emocione-se com 4 filmes gays focados em dramas familiares
por Felippe Brana
Quando dividi com vocês alguns filmes que indiquei a um amigo ávido por referências cinematográficas gays, recebi várias mensagens bem bacanas sobre os diversos títulos citados e, claro, sugerindo vários outros longas que ficaram de fora da nada curta lista que preparei naquele primeiro post.
Foi assim que tive a ideia de não só buscar referências pessoais de filmes super interessantes para dividir com vocês como também selecionar vários longas citados entre comentários do post anterior. Tá preparado para mais algumas incríveis dicas de cinema gay? Dá só uma olhada no que eu reservei para vocês:
“Sim, eu amo um homem. E sei que você não pode suportar. Mas é assim. Não é uma questão de ser gay ou não, é apenas uma questão de amor”.
‘Apenas Uma Questão de Amor‘ (‘Juste Une Question D’Amour’) é um drama produzido para televisão francesa que causou muito burburinho por lá, quando foi lançado em 2000. No longa, Laurent é um jovem de 23 anos que vive um namoro de fachada com a melhor amiga para evitar que seus homofóbicos pais descubram sua homossexualidade. Se já era difícil manter essa situação, tudo fica ainda mais complicado quando o jovem se apaixona por Cedric, um homem maduro e bem resolvido à procura de alguém com quem possa ter uma relação honesta e verdadeira, longe de segredos e mentiras.
A identificação com o drama do protagonista e sua família homofóbica é imediata e você facilmente toma para si o sofrimento do jovem em não ser aceito por todos que ama. Laurent viu seus pais e seus tios expulsarem de casa seu primo gay e deixá-lo morrer sozinho em um hospital e, mesmo com o apoio de Cedric, sente não estar preparado para enfrentar essa situação.
A mesma sensação de não pertencer àquela família e não ser aceito por ela é vivida por Bobby, protagonista do longa também produzido para TV ‘Orações Para Bobby’.
“Eu não vou ter um filho gay”
A frase acima foi a última coisa que Mary (Sigourney Weaver, em uma atuação fantástica) disse ao filho antes de seu suicídio, aos 20 anos, e ‘Orações Para Bobby’ é exatamente como você viu no trailer: intenso, delicado e absolutamente sincero.
Baseado em fatos reais, ‘Orações Para Bobby’ foi indicado ao Emmy e Globo de Ouro em 2010 e não tenho o menor receio em dizer que poucos filmes gays são tão incríveis e emocionantes como esse. O drama de Bobby procurando entender porque é ‘diferente’, enquanto a família tenta ‘consertá-lo’ é de uma sensibilidade tocante. De uma forma comovente, vemos uma mãe que, através da fé e com o coração repleto de remorso e dúvidas, procura uma forma de fazer do superar a perda de Bobby e, principalmente perdoar a si mesma por não ter estado ao lado dele quando mais precisou. Ver a transformação de Mary, antes uma mulher religiosa e homofóbica e hoje alguém lutando arduamente pelos direitos dos homossexuais como uma forma de honrar o nome do filho, faz você terminar de ver ‘Orações Para Bobby’ com uma imensa esperança por um mundo melhor e uma vida sem medo e vergonha.
A próxima dica não é necessariamente um drama gay, mas a história sobre um jovem e sua difícil relação com a mãe. ‘Eu Matei a Minha Mãe’ até expõe a homossexualidade de Hubert, mas é a dificuldade em conviver com a mãe Chantale o grande foco desse filme canadense escrito, dirigido e protagonizado por Xavier Dolan, além de ser baseado em suas próprias experiências.
A impressão que eu tive ao ver o longa de Dolan é que por muito pouco ‘Eu Matei a Minha Mãe’ não cai em um melodrama caricato e se isso não acontece é certamente pelas atuações de Dolan e Anne Dorval (que interpreta com maestria Chantale, a mãe) além de sabermos que toda aquela intensidade vista em cena é a história real do escritor. Vale ressaltar também que se sua relação com a mãe torna-se tão problemática com o passar do tempo, deve-se também ao contraponto direto com a feliz e tranquila casa do namorado Antonin, onde o jovem vive com uma mãe liberal que aceita que o filho leve o namorado, fume maconha e tenha uma liberdade por vezes sufocante, ao ser comparada com o mundo depressivo e escuro onde Hubert vive com Chantale.
Ao falar ‘eu não nasci para ter uma mãe’, Hubert expõe todos os medos, angústias e revoltas de um jovem de 17 anos e esses são os grandes momentos do filme, aqueles em que Hubert desabafa olhando para a câmera com a melancolia e depressão que vemos também em suas grandes explosões com Chantale. Só não deixe-se enganar ao imaginar que o ódio crescente de Hubert pela mãe vem da falta de amor por ela. Claro que o jovem a ama muito, ou não poderia odiá-la tanto, e com tanta vontade.
Um post com três filmes tão intensos e dramáticos pede ao menos uma dica divertida e sendo assim prepra-se para ‘O Primeiro que Disse’!
‘O Primeiro que Disse’ conta a história de Tommaso Cantone (Riccardo Scamarcio), jovem que, após um período estudando em Roma, volta à sua cidade natal no interior da Itália disposto a assumir-se gay para sua família burguesa e tradicional. O que ele não esperava era que seu irmão Antônio se antecipasse e saísse do armário antes dele, sendo expulso de casa pelo patricarca.
Tommaso precisa então assumir os negócios da família e de alguma forma ajudar o irmão, mas as coisas fogem do controle quando seus amigos e namorado resolvem visitá-lo, levando um caos cômico para aquela pequena cidade.
Essa é uma ótima dica se você procura uma divertida comédia de costumes, além de expor de uma forma mais tranquila e natural o grande medo de assumir-se gay em uma família intolerante e conservadora. Ah, não dá para esquecer que em meio a todo o caos da família Cantone, Tommaso ainda fica confuso quando a seus sentimentos pela jovem Alba (e vamos combinar.. pode nunca ter acontecido com você, mas é mais natural do que você imagina, afinal não é uma questão de ser gay ou não.. é uma questão de amor, lembra?)
E essas foram as dicas que o Trend Coffee selecionou para você focadas no drama família x mundo gay. Mas calma, eu sei que há diversos outros filmes gays que você está louco para ver por aqui então fica tranquilo que estamos preparando outros posts com outros temas interessantes! Agora eu deixo vocês com uma das melhores frases que eu já vi em um filme gay (e olha que foi dita por um pai homofóbico!):
They don’t reproduce but there are more and more of them.
Ah, dois dos filmes mencionados nesse post podem ser vistos completos no Youtube:
Juste Une Question D’Amour (completo)
Faz a pipoca, aperta o play e divirta-se!
Sensualidade e sexualidade em muita personalidade
por Julianne Gouveia
‘Sou mais uma personalidade do que uma atriz’.
Nunca uma mulher teve tanta autoconsciência e autoconfiança em Hollywood como Marlene Dietrich. O furacão germânico que seduziu a América em pleno período de Alemanha Nazista é ícone de moda e de transgressão de gênero mesmo 20 anos depois de as pernas mais faladas da Classic Hollywood enfim repousarem sossegadas em um apartamento em Paris.
Símbolo de elegância, sensualidade e força, Marlene Dietrich foi a personificação do glamour quente da década de 30, quando a nudez sutil e beijos de tirar o fôlego já eram coisa corriqueira em Hollywood. No tempo de Marlene, mostrar as pernas era o máximo que uma mulher podia fazer - e foi com os músculos que ela entrou em cena, mesmo que pelos bastidores. O primeiro emprego formal da então Marie Magdalene Dietrich von Losch foi como violinista em uma orquestra que musicava filmes no cinema, no auge da era silenciosa. Uma inflamação nas mãos a fez se aposentar precocemente do violino, o que a levou a trabalhar como dançarina em cabarés. Muito a frente de seu tempo, Marlene era ávida frequentadora das casas noturnas e inferninhos gays que tornavam a Alemanha pré-Nazista uma ilha de liberalidade na Europa.

Depois de atuar em pequenos papéis no cinema alemão, foi com o cineasta austríaco Josef von Sternberg, um amante de longa data, que Marlene Dietrich conheceu, enfim, o estrelato. A inesquecível e magnética corista Lola-Lola de ‘O Anjo Azul’ (1930) é até hoje um dos símbolos máximos de sedução no cinema mundial. Com o longa, ela migrou para os EUA para brilhar em mais de 30 filmes, durante quatro décadas de uma carreira que foi pura dinamite. Além de ser uma das estrelas mais bem pagas de Hollywood, a diva rodou o Ocidente com shows de cabaré, teve peito para recusar as investidas de Adolf Hitler em torna-la um símbolo da força alemã Nazista e ainda retirar-se do mundo do cinema ao perceber que seu corpo já não aguentava mais tanto viver – ‘Apenas um Gigolô’ (1974), que protagonizou ao lado de David Bowie, marca o fim de sua filmografia.
Bissexual quase assumida – o tabu da primeira metade do século não permitia que se falasse no assunto, porém, a femme fatale não escondia que gostava (e muito!) de ambos os sexos –, as usuais vamps glamourosas que Marlene interpretava nas telas tinham muito a ver com o que ela mesma era. Seu charme e sedução naturais eram quase inexplicáveis – sem um rosto propriamente bonito, mas bem feita de corpo e com uma incrível habilidade para canto e dança, ela deixava sem ar homens e mulheres (indiferentemente da opção sexual). E quebrar paradigmas era o que melhor fazia: na década de 20, Dietrich já usava calças masculinas – em ‘Marrocos’ (1930), ela causou escândalo ao aparecer na telona com um traje masculino completo que incluía até cartola –, fumava e tinha inúmeros amantes ocasionais, mesmo sendo casada com o produtor cinematográfico Rudi Sieber. Em sua longa lista de affairs, constam três membros do clã Kennedy, Ernest Hemingway e estrelas do star-system da época, como John Wayne, Maurice Chevalier e muitos outros.

Indicada ao Oscar algumas vezes, Marlene Dietrich viveu com uma luz própria que a tornaria lenda para as gerações posteriores. E ser uma diva era o que ela realmente sabia fazer. Na passagem do show da atriz-modelo-cantora pelo Brasil em 1959, ela fez uma exigência que só uma rainha quase sexagenária poderia fazer: nenhuma das bailarinas do espetáculo podia levantar a perna mais alto que ela! Afinal, viver como uma estrela e ser, de fato, uma estrela é para poucos.
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